Manifesto

O Planalto – Festival das Artes é um projecto anual que tem na sua raíz a apresentação de projectos artísticos oriundos de múltiplas disciplinas artísticas, e que procura diferenciar e dar sentido à ocupação de todo o território nacional, com particular ênfase nas regiões do interior. E que pretende, para além da dinamização e valorização da oferta de programação cultural, a reflexão e discussão para as sociedades de hoje.

 

Esta edição, torna-se marcante não só por ser a primeira das muitas para as quais queremos trabalhar, mas também, porque é a partir daqui que começaremos a projectar o futuro e a imprimir um marco nestes territórios e nestas gentes.

 

CONSTRUIR e INTEGRAR são o mote para a primeira edição do PLANALTO.

 

Partiremos para esta edição como partimos para o planeamento do projecto: da mesmíssima forma que se pensa uma casa. Iniciando as fundações necessárias para a implementação dos alicerces que garantirão a firmeza da estrutura que se levantará ao longo dos anos, andar após andar, edição após edição.

 

No tempo em que vivemos temos tendência a deixar-nos ser comandados por fluxos de pensamentos únicos em relação ao Mundo e ao que o constitui. Sendo por isso cada vez mais necessária a existência de vozes dissonantes. Quando a vida parece afunilar-se em ideologias e modos de vida que nos fazem recuar largos anos na história, precisamos de descobrir e reinventar novos caminhos. Tomaremos as ruas, invadiremos as praças e os jardins, ocuparemos as ruínas e os destroços para nos devolvermos aos lugares de convívio do antigamente.

 

Projectar-nos-emos a partir desses lugares do passado para nos pensarmos, enquanto Seres Humanos, para o futuro.

 

Se nos dias que correm são poucos aqueles que ousam sugerir que a arte pode salvar o mundo, há quem a continue a ver e praticar como forma de resistência. Os espectáculos que apresentaremos são, entre outras coisas, poderosos objectos de mapeamento do sensível, bem como, das condições humanas, políticas e sociais do mundo global que somos. E, se são as pessoas que mudam o Mundo, então é certo que a Arte muda as pessoas.

 

Trabalharemos sobre as culturas do dia-a-dia, fazendo um levantamento da diversidade cultural que aqui existe. E, posteriormente, emergindo-as, preservando-as e apresentando-as ao Mundo. Devolvendo a estas gentes novas perspectivas e leituras do mundo actual.

 

Uma espécie de visita guiada aos mundos que se escondem atrás do mundo aparente. Querendo que esta e as próximas programações possam também ser um parque de diversões para construir mundos imaginários para os quais resta muito pouco espaço nas nossas vidas.

 

Durante 6 dias serão apresentados cerca de 30 eventos, oriundos de 6 disciplinas artísticas, em mais de 80 horas de uma programação emancipada e desafiante.

 

Parti para o desenho programático desta primeira edição do PLANALTO com o intuito de apresentar um programa que abrangesse todos, que integrasse todos e que incluísse todos! E nada me poderia deixar mais feliz do que dizer que conseguimos! Agora só nos falta que todos estejam connosco e que se entreguem à oportunidade de viver cada uma das propostas que serão apresentadas.

 

O PLANALTO, a partir do momento em que será apresentado, passa a ser de todos individualmente. Como de uma propriedade privada se tratasse, com tudo o que isso implica: acarinhar, cuidar, alimentar e desejar o seu crescimento, espalhando as suas sementes e afundando as suas raízes.

 

Esta primeira edição é, por isso mesmo, um universo de sentidos que queremos ver implodir em cada um de nós. O poder de implodir para depois explodir e contaminar outros que se queiram envolver, relacionar e intervir. Criando algo que seja muito nosso! Um projecto que seja, simultaneamente, um colecionador de momentos e um arquitecto para o futuro.

 

Confesso que erguer um projecto desta dimensão e desta complexidade, nunca outrora feito nestes territórios e com estes conteúdos, é como caminhar por trilhos vertiginosos.

 

Acreditando, que só através do que é novo, daquilo que rasga e da sensação de descobrir o que não conhecemos, poderemos conhecer mais, saber mais, e logo, evoluir melhor. É olhar de frente para o abismo e dizer-lhe que queremos cair. Juntos!

 

Luís André Sá
Direcção Artística e Programação

 

 

 

Equipa:

Direcção Artística e de Programação: Luís André Sá
Assessoria de Imprensa e Comunicação: Eduarda Freitas / Inquieta – agência criativa e Rui Bondoso/CMMB
Design: Cristina Morais/ Colectivo de Melhoramentos
Vídeo e fotografia: José Guilherme Marques
Produção Executiva: Cátia Coutinho
Assistentes de Produção: colaboradores do município de Moimenta da Beira e voluntários

Agradecimentos:

Esta primeira semente do Planalto – festival das artes, não seria impossível sem a extrema colaboração e diálogo com o Município de Moimenta da Beira, que acolheu, apoio e financiou toda a ideia desde o seu início. A todos os parceiros públicos e privados, que foram absolutamente vitais para a concretização sem riscos deste evento. Ao grupo BPI/ Fundação “la caixa”, à NACO Oliveirinha, à Casa do Povo de Leomil, ao Agrupamento de escolas de Moimenta da Beira, à Cooperativa Agrícola do Távora, ao Jardim da Rua, ao Teatro Ribeiro Conceição, ao Sr. António, ao Sr. Raúl Moura, à Escola Profissional da Quinta do Ribeiro, ao Ricardo Castro e à sua equipa. Às juntas de freguesia de Leomil e Moimenta da Beira, que não quiseram ficar de fora. Ao grupo RTP (RTP2 e Antena 2) por todo o apoio prestado enquanto media Partners do evento. Ao Canal 180 e ao Gerador, parceiros oficiais na divulgação do evento. A todos os voluntários, de todas as partes do país, que nos fizeram chegar a sua ajuda. A todos os anónimos que foram estruturastes para que as muitas barreiras fossem ultrapassadas. A todos os Moimentenses para quem desenhamos este programa e que esperamos que dele possam usufruir. Um bem haja a todos! Sem estes nada disto seria possível! Encontramo-nos em 2020?